Em palestra na JF do Rio, presidente do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico diz que são os pobres que mais sofrerão com as mudanças climáticas.

O presidente do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Sergio Besserman,  professor de Economia da PUC/RJ, palestrou no dia 26 de setembro, no auditório do foro da JFRJ na Av. Rio Branco, sobre “Os desafios da crise ecológica global”.
O presidente do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Sergio Besserman, professor de Economia da PUC/RJ, palestrou no dia 26 de setembro, no auditório do foro da JFRJ na Av. Rio Branco, sobre “Os desafios da crise ecológica global”.

 “Quem tem mais recursos vai se defender melhor. Os pobres são os que mais sofrerão com as mudanças climáticas”. A declaração é do presidente do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Sergio Besserman. 

O ambientalista e professor de Economia da PUC/RJ palestrou no dia 26 de setembro, no auditório do foro da JFRJ na Av. Rio Branco, sobre “Os desafios da crise ecológica global”.

Crítico à teoria de que é possível conciliar o atual modelo de vida, modo de produção e consumo com a proteção ao meio ambiente, Besserman foi categórico ao dizer que a solução para a crise ambiental demandará soluções complexas e urgentes. O professor citou um documento emitido pelo Banco Mundial, que afirma que as mudanças climáticas põem em risco os avanços contra a pobreza conquistados nos últimos anos. 

“A solução é geopolítica, de governança mundial, macroeconômica, que requererá forte combate à pobreza e à desigualdade. Temos as tecnologias e sabemos o que devemos fazer, mas as empresas continuam preocupadas com o valor dos seus ativos, com balancetes. Antes do capitalismo vivíamos com medo da peste, da fome, da guerra. A taxa de mortalidade era altíssima. O erro foi fazer crer que seria possível utilizar os recursos naturais de forma infinita em um modo de crescimento econômico ilimitado. Essa conta não fecha. Hoje, um sujeito da periferia de Moscou causa mais impacto ambiental do que o Czar”, explicou.

Planeta no limite

Além de acarretar alterações no meio ambiente - como o aumento do nível do mar, chuvas mais frequentes e violentas - as mudanças climáticas vão intensificar problemas políticos, como o drama dos refugiados. “Em um cálculo conservador da ONU, teremos nos próximos 30 anos mais de 350 milhões de imigrantes se deslocando pelo mundo por conta de questões climáticas. Na Síria, foram apenas cinco milhões. Espera-se que o Brasil receba 20 milhões. Como vamos lidar com isso?”, ressaltou o professor. 

Besserman também chamou atenção para a crise da biodiversidade. “Até 2050, teremos extinguido 20% das espécies. Talvez tenhamos um colapso de ecossistemas”, disse.  

Apesar do prognóstico desanimador, o professor acredita que este é o momento de “uma grande revolução”, comparado apenas, segundo ele, ao que representou o Iluminismo e ao Renascimento na história humana. “Estamos em um momento extraordinário para decidir quem somos, se seremos aqueles que agirão em consideração ao que irá ocorrer nas próximas décadas ou que, por interesses próprios, não faremos nada. Precisamos pôr em dúvida nossas próprias opiniões. A mudança cultural é a mais importante. Nos EUA, jovens com idade entre 16 e 25 anos não querem mais ter carro”, assinalou.  

 

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